(João Ferreira, in Facebook, 13/10/2026, Revisão da Estátua)

A Rússia não está só a ganhar a guerra. Já ganhou. O resto é missa da Igreja Universal do Reino dos Mirdia.
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Venho a escrever sobre isto desde 2015. E, ao longo destes anos, tenho assistido a um dos mais extraordinários espetáculos de domesticação intelectual colectiva de que tenho memória.
Não me surpreende a propaganda. A propaganda sempre existiu. Surpreende-me a quantidade de gente que, julgando possuir pensamento próprio, se limita a reproduzir aquilo que ouviu na televisão cinco minutos antes.
Os totós preferem a homilia da Igreja Universal do Reino dos Mirdia, essa extraordinária congregação de sacerdotes televisivos, analistas de conveniência e especialistas de ocasião, devidamente alinhados com a liturgia de Bruxelas e com as bênçãos da Frau Ursula von der Leyen.
Pensar tornou-se um incómodo. Questionar tornou-se uma heresia. Discordar tornou-se um pecado.
E assim nasceu um verdadeiro exército de zombies de sofá, criaturas intelectualmente domesticadas que repetem o teleprompter, aplaudem o vazio e confundem informação com conhecimento, propaganda com verdade e obediência com inteligência.
A Rússia não está a ganhar a guerra. A Rússia já ganhou.
E não estou a falar de vitórias anunciadas nos telejornais, de mapas coloridos por comentadores de ocasião ou de discursos inflamados de políticos que nunca ouviram um tiro fora de uma carreira de tiro.
Estou a falar de estratégia. De objectivos. De capacidade militar. De economia. De geopolítica. Daquilo que distingue quem compreende um conflito de quem se limita a consumir a sua representação televisiva.
A desmilitarização da Ucrânia era um dos objectivos declarados da operação militar especial russa. Mas, na minha leitura, a Rússia conseguiu muito mais do que aquilo a que inicialmente se propôs.
Porque esta guerra nunca foi, na sua verdadeira dimensão estratégica, uma simples guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Foi uma guerra entre a Rússia e a NATO, travada em território ucraniano, com soldados ucranianos e com armamento, financiamento, logística e serviços de informações ocidentais. A Ucrânia foi o campo de batalha. A NATO foi o adversário estratégico.
E o resultado, na minha perspetiva, é de uma ironia histórica extraordinária: a Rússia não se limitou a desmilitarizar a Ucrânia. Acabou por desmilitarizar também a NATO, no sentido do desgaste dos arsenais e das reservas mobilizadas para sustentar o conflito.
Aquilo que deveria ter provocado o colapso militar russo transformou-se num processo de desgaste da própria capacidade militar ocidental.
A NATO prometeu derrotar a Rússia através da Ucrânia. A minha conclusão é que a Rússia acabou por vencer a NATO através da mesma Ucrânia.
E enquanto isto acontecia, uma multidão de comentadores continuava a anunciar, com a solenidade de quem recebe revelações divinas, a derrota iminente de Moscovo.
Primeiro faltariam os mísseis. Depois as munições. Depois os soldados. Depois os tanques. Depois o dinheiro.
A Rússia estava sempre prestes a cair.
Uma falência permanente, anunciada diariamente, mas que teimava em não acontecer nos termos previstos pelos profetas de estúdio.
E a economia?
Ah, a economia!
Essa extraordinária arma de destruição maciça que Bruxelas prometeu utilizar contra Moscovo e que acabou por expor as fragilidades da própria Europa.
Anunciaram que as sanções colocariam a Rússia de joelhos. Que o rublo se transformaria em papel sem valor. Que a indústria russa entraria em colapso. Que o isolamento económico acabaria por provocar aquilo que a NATO não conseguia alcançar militarmente.
Mas a Rússia adaptou-se, reorganizou circuitos comerciais, reforçou relações com economias não ocidentais e demonstrou uma capacidade de resistência que os sacerdotes da propaganda nunca quiseram admitir.
Enquanto isso, a Europa confrontou-se com o encarecimento da energia, a pressão sobre a sua indústria, a perda de competitividade e o peso crescente das suas próprias contradições estratégicas.
Não significa que a economia russa não tenha custos, nem que todos os países europeus estejam em recessão. Significa que a promessa de um colapso rápido da Rússia falhou e que a Europa descobriu que sancionar um adversário não significa ficar imune às consequências das próprias sanções.
E que extraordinária ironia!
A Rússia, que deveria estar economicamente destruída, registou períodos de crescimento superiores aos de muitas economias europeias. A Europa, que deveria estar a celebrar a eficácia das suas sanções, viu-se obrigada a discutir preços de energia, competitividade industrial e a sustentabilidade das suas próprias opções.
Prometeram arruinar a economia russa. Conseguiram demonstrar até que ponto a economia europeia dependia daquilo que pretendiam sancionar.
E os Estados Unidos?
Aqui começa a parte verdadeiramente deliciosa desta ópera geopolítica.
Durante anos, Washington apresentou a Rússia como um adversário a isolar, um inimigo a enfraquecer, uma potência a submeter através de sanções, pressões económicas e confronto indirecto.
Mas a política internacional tem uma característica que os comentadores de sofá parecem desconhecer: os interesses não obedecem a sermões.
Quando os interesses americanos exigem pragmatismo, Washington procura pragmatismo. Quando exigem negociação, Washington procura negociação.
E quando surgem notícias ou declarações sobre a possibilidade de recorrer novamente a produtos energéticos russos, incluindo gasóleo, a contradição política merece ser escrutinada, sem transformar uma hipótese ou uma declaração numa compra comprovada.
Porque aquilo que para os europeus é apresentado como uma obrigação moral absoluta pode tornar-se, para Washington, uma questão de conveniência estratégica.
E é precisamente aqui que reside a diferença entre aliados e vassalos.
O aliado participa nas decisões. O vassalo recebe as consequências.
O aliado define interesses comuns. O vassalo adapta os seus interesses aos do senhor.
O aliado negoceia. O vassalo obedece.
E quando o senhor altera a sua estratégia, o vassalo descobre que afinal aquilo que lhe tinham apresentado como princípio inegociável era apenas uma orientação temporária.
A União Europeia, essa extraordinária construção política que tanto gosta de proclamar soberania, descobriu que a sua política externa continua profundamente condicionada pelas decisões de Washington.
Não tem uma estratégia verdadeiramente autónoma. Tem comunicados.
Não tem uma capacidade militar independente à altura das suas ambições. Tem dependências.
Não tem uma voz soberana suficientemente afirmada. Tem ecos.
E quando os interesses americanos se alteram, a Europa fica à espera de perceber qual será a próxima orientação, procurando apresentar como decisão própria aquilo que demasiadas vezes não passou de uma adaptação obediente.
Os Estados Unidos participaram decisivamente na arquitectura geopolítica que antecedeu este conflito, financiaram e armaram a resistência ucraniana e fizeram da contenção da Rússia uma prioridade estratégica.
Acusam a Rússia pela invasão de 2022, porém, negam a discussão sobre os interesses que antecederam, acompanharam e prolongaram esta guerra. Porque a geopolítica não é um concurso de virtudes. É um confronto de interesses. E os interesses dos Estados Unidos não são necessariamente os interesses da Europa.
O império não precisa de conquistar formalmente os seus vassalos. Basta convencer os vassalos de que a obediência constitui uma forma superior de liberdade. O senhor decide. O vassalo paga. E o comentador explica, com ar solene, porque razão pagar representa uma extraordinária vitória moral.
É uma arquitectura de submissão tão sofisticada que os próprios subordinados a defendem com entusiasmo.
Depois vêm as sanções, apresentadas como instrumentos infalíveis, apesar dos seus efeitos assimétricos e dos custos suportados também por quem as decreta.
Vêm as promessas de vitória, sucessivamente adiadas.
Vêm os discursos inflamados, as cimeiras extraordinárias, os anúncios históricos e os pacotes de ajuda celebrados como se cada transferência financeira representasse uma conquista militar.
E vêm, naturalmente, os especialistas.
Ah, os especialistas!
Esses extraordinários sacerdotes da evidência conveniente, capazes de anunciar o colapso da Rússia numa segunda feira e explicar, na sexta feira seguinte, porque razão a sua resistência afinal demonstra que as sanções estão a funcionar.
Nunca falham. Apenas reinterpretam os acontecimentos.
Nunca se enganam. Apenas actualizam a narrativa.
Nunca prestam contas. Limitam-se a mudar de assunto.
São profissionais da certeza retrospectiva. Sabem sempre o que aconteceu depois de acontecer, mas raramente conseguem explicar porque razão aquilo que garantiram que aconteceria nunca chegou a acontecer.
E quanto maior se torna a distância entre as previsões e a realidade, mais agressiva se torna a liturgia.
Porque o problema da propaganda não é apenas a mentira. É a construção de um ambiente intelectual onde a dúvida deixa de ser permitida.
Uma sociedade que deixa de questionar os seus próprios especialistas não está informada. Está domesticada.
Podem chamar-me louco. Podem chamar-me tudo aquilo que o vocabulário da intolerância reserva para quem se recusa a integrar o rebanho. Pouco me importa. Venho a publicar reflexões sobre este conflito desde 2015, muito antes de muitos destes comentadores terem descoberto a Ucrânia no mapa. Não reivindico infalibilidade. Reivindico o direito de pensar sem pedir autorização aos distribuidores oficiais da verdade. E mantenho a minha conclusão.
A Rússia já alcançou aquilo que considero ser a sua vitória estratégica fundamental. A Ucrânia perdeu a autonomia da sua capacidade militar e a NATO foi arrastada para um desgaste que, na minha interpretação, ultrapassou largamente os objectivos inicialmente anunciados por Moscovo.
A guerra pode continuar nos campos de batalha. Isso não me impede de considerar que o seu resultado estratégico essencial já foi determinado.
E é aqui que começa a parte mais interessante desta história.
Porque, em breve, muitos destes comentadores, analistas e especialistas começarão a desaparecer.
Não desaparecerão todos. Alguns limitar-se-ão a trocar de assunto, de estúdio, de convicções e, se necessário, de memória.
Outros retirar-se-ão discretamente quando a realidade tornar insustentáveis as homilias que durante anos venderam como análise militar, ciência política ou superioridade moral.
E talvez nem desapareçam por vergonha. Porque para sentir vergonha é necessário conservar alguma consciência crítica.
Desaparecerão porque a mercadoria que comercializavam deixará de encontrar compradores.
E ficará a pergunta que poucos terão coragem de fazer: quantos aceitaram os seus pratos de lentilhas em troca de homilias de propaganda barata, fútil e intelectualmente desonesta?
Uns receberam protagonismo. Outros receberam audiências. Outros conquistaram lugares à mesa do poder. E muitos limitaram-se a receber aquela recompensa que mais seduz a mediocridade intelectual: a possibilidade de parecerem importantes sem terem de demonstrar independência.
Tal como aconteceu com tantos comentadores do tempo da COVID.
Lembram-se? Aqueles que pareciam possuir uma linha direta com a verdade absoluta; aqueles que ocupavam horas intermináveis de televisão, distribuindo certezas, censuras morais e sentenças sobre quem ousasse formular uma pergunta inconveniente. Desapareceram todos, naturalmente. Nem tudo aquilo que disseram estava errado. Mas muitos perderam a centralidade mediática que os transformara em autoridades quase incontestáveis.
E quantos regressaram aos mesmos estúdios para confrontar, com igual solenidade, as suas previsões com os resultados? Quantos assumiram publicamente os seus erros? Quantos reconheceram que a ciência evolui, que o conhecimento tem limites e que a arrogância nunca foi uma metodologia científica?
Poucos se deram ao trabalho de prestar contas. Mudou o assunto. Mudaram os especialistas. Mudou a liturgia. A máquina continuou.
É esse o verdadeiro problema das sociedades contemporâneas ocidentais. Não é a existência de propaganda. A propaganda sempre existiu. É a facilidade com que uma sociedade que se proclama esclarecida abdica voluntariamente do pensamento crítico para consumir opiniões embaladas, certificadas e servidas à hora do jantar.
A História não costuma ser generosa com os profetas do poder quando o poder muda de narrativa.
E chegará o momento em que os mesmos que hoje proclamam certezas começarão a explicar que sempre tiveram dúvidas.
Dirão que foram mal interpretados. Que o contexto era diferente. Que as informações disponíveis eram incompletas. Que ninguém poderia prever aquilo que, durante anos, impediram os outros de discutir.
E os pratos de lentilhas terão sido consumidos.
As homilias terão sido esquecidas.
Os púlpitos estarão ocupados por novos sacerdotes.
Mas os arquivos permanecerão.
Porque a memória pode ser curta, mas a palavra escrita tem uma qualidade extraordinariamente inconveniente: sobrevive aos seus autores e às conveniências dos seus tempos.
A Rússia não está a ganhar a guerra. Na minha leitura, já ganhou. E considero que conseguiu ir além dos próprios objectivos militares inicialmente anunciados.
O resto continua a ser ruído, propaganda, encenação e liturgia.
E enquanto os fiéis da Igreja Universal do Reino dos Mirdia aguardam pela próxima homilia, eu continuarei a fazer aquilo que sempre procurei fazer: observar, questionar, pensar e retirar as minhas próprias conclusões.
Porque a inteligência não se mede pela capacidade de repetir aquilo que todos dizem.
Mede-se, sobretudo, pela coragem de questionar aquilo que ninguém quer ouvir.
E a História tem um hábito particularmente cruel: não aceita pratos de lentilhas como pagamento para absolver os seus falsos profetas.
O Zé Carlos André a responder ao George Arthur, que comenta em português, é deveras comovente… mais comovente que o texto e a resposta directa do Zé Carlos André.
A forma como a concordância é expressa, a ausência do habitual contraditório, a simplicidade argumentativa, enfim… parecem almas gémeas!
*comenta em inglês, deve ter uma costeleta shakespeariana. Shake + Pear = Shakespear…
“A Rússia não está a ganhar a guerra. Na minha leitura, já ganhou. E considero que conseguiu ir além dos próprios objectivos militares inicialmente anunciados.”
Pelo contrário:
1- a Rússia está a ser bombardeada em todo o seu território pelos EUA, sem conseguir bombardear de volta o seu inimigo.
Isto é um falhanço Russo, e um total sucesso, isso sim, dos objectivos iniciais de quem planeou esta guerra proxy: EUA,
2- a Rússia está há mais de 4 anos a tentar libertar uma área equivalente ao distrito de Coimbra (zona norte da República de Donetsk, e periferia de Lugansk e Kharkov), onde avançou depressa quando atacou de surpresa, recuou ainda mais depressa quando a Ucrânia contra-atacou, demorou depois 3 anos a atravessarum rio Zherebets que no verão se atravessa a pé, e está novamente a recuar na zona de Lyman),
3- o Presidente da Rússia já foi humilhado ao não se poder deslocar sequer para uma cimeira dos BRICS no Brazil onde todos os outros Presidentes estavam presentes, pois Lula “nada pode fazer” perante a ameaça de um mandato de captura de um tribunal Europeu…
4- enquanto os EUA correm ao lado da China na última corrida de todas: IA – a Rússia apaga fogos nos servidores da Yandex (a sua “Google”) bombardeados com mísseis dos EUA guiados por satélites dos EUA,
5- a Ucrânia tem Starlinks (aliás, o Starshield, que é a versão militar controlada pelo Pentágono e não pelo Elon Musk) disponíveis para comunicar e guiar drones em todo o teatro de operações, enquanto que a Rússia só agora está a criar a sua alternativa Rosvet que permite comunicar 2 hora por dia, quando essa constelação de satélites ainda muito incompleta dá cobertura,
6- a húbris da Rússia que foi até Kiev em 2022, mas depois se deu ao luxo do tal “gesto de boa vontade” de recuar para dentro da sua fronteira e continuar só a batalha nas regiões do Sul/Sudeste, foi humilhada com a invasão de Kursk, a qual só foi revertida com ajuda militar da Coreia do Norte, que a propaganda Russa passou meses a tentar desmentir… até isso se tornar impossível de fazer,
7- a força naval TODA da Rússia nem sequer um único grupo de porta-aviões dos EUA conseguiria confrontar, e os EUA têm vários desses grupos.
Aliás, a força naval Russa no Mar Negro teve de fugir de Sevastopol (Crimeia) e procurar refúgio em Novorossisk (mais perto da Geórgia do que da Ucrânia), pois com meros drones aérios e aquáticos os EUA conseguiram afundar navios de guerra russos.
Algo ainda pior quando os próprios navioa comerciais, desprotegidos (i.e. sem a proteção da Frota do Mar Negro), são atacados de tal forma sistemática que basicamente o Mar de Azov fica inutilizado,
8- a necessidade de mobilizar 300 mil homens em 2022 perante o descalabro Russo aquando da contra-ofensiva de enorme sucesso da NATO, que avançou de Izium até Kupiansk, algo que 4 anos mais tarde ainda não foi revertido,
9- a necessidade de desvalorizar o Rublo para que mais de 100 valessem só 1 Dólar, a inflação de forma sistemática com duas casas decimais, e a necessidade de ter controlo de capitais e taxas de juro directoras perto dos 20% para evitar uma fuga de dinheiro dos bancos,
10- uma dependência da Rússia em relação à China e Índia e até Cazaquistão e companhia, para poder ter acesso ao mercado internacional e contornar as sancões ocidentais,
11- a incapacidade de defender Kherson, de ter de abandonar a margem oeste do rio Dnieper, e continuar quase 5 anos mais tarde sem qualquer perspectiva de sequer controlsar o que “já é da Rússia” desde os referendos de 2022,
12- a crise de combustíveis na periferia Russa, em particular na Crimeia, devido aos bombardeamentos dos EUA contra as refinarias Russas.
Chegaram a existir algumas filas nas bombas de combustíveis, uma temporária proibição de exportar combustíveis refinados, e até a necessidade de importar combustível do Cazaquistão e não só,
13- ataques dos EUA que destruíram boa parte da infraestrutura civil da Wildberries (a “Amazon” Russa), sem que a Rússia conseguisse defender-se devidamente desses ataques, e sem quualquer hipótese de ripostar contra a Amazon dos EUA,
14- incapacidade da Rússia proteger sequer os seus navios de carga (não só petroleiros, mas também transporte de mercadoria e comida) perante o descaramento da pirataria dos países da NATO. Até uns chihuahuas como a Finlândia e a Estónia colocaram em causa o abastecimento de São Petersburgo, e os EUA venderam os navios (e carga) que roubaram sem que a Rússia pudesse sequer ripostar ou sequer reclamar contra os EUA, os mandantes desta humilhação e bloqueio parcial,
15- os 300 mil milhões (1.5x o PIB de Portugal) em activos Russos que a Rússia nunca recuperará, o descaramento da ditadura UE em lucrar com o que capturou (300 mil milhões a render… é fazer as contas), de usar esse dinheiro para comprar armas com que os nazis matam Russos, e apesar da propaganda Russa lembrar esta possibilidade constantemente desde 2022, ainda não houve um único país no Mundo a tirar os seus activos dos bancos ocidentais!
16- a admissão de Putin que o rácio de baixas na guerra é de 5 Ucranianos para cada Russo. À partida parece bom, mas é do mesmo Kremlin (do Ministério da Defesa) que vem a informação de que as baixas Ucranianas rondarão já 1.5 milhões, entre mortos e feridos irrecuperáveis. Ora, 1.5 a dividir por 5, dá 300 mil baixas Russas.
Versus ZERO baixas da NATO/EUA.
E isto numa Rússia que é um dos países do Mundo com mais problemas demográficos, i.e. com apenas 1.3 filhos por casal, claramente abaixo dos 2.1 necessários para sequer manter a população.
Perde 300 mil, e perde os potenciais filhos desses 300 mil. E a conta continua a aumentar todos os dias.
17- a Rússia queria travar a expansão da NATO, mas em vez disso tem mais NATO na sua fronteira. Por mais cope que a propaganda Russa faça, a verdade é que a Suécia e a Finlândia na NATO complicam a estratégia. E a seguir vai a Moldávia, a Arménia e o Azerbaijão, já para não falar da crescente captura política e económica e militar de países da SCO e até da própria CSTO, feita pelos EUA, Reino Unido, França, e Turquia. A Arménia é apenas o exemplo mais óbvio, mas outros estão no mesmo caminho…
18- e finalmente, a admissão pelos próprios comentadores Russos e OSINT (Open Source INTelligence, como o Rybar) Russos, de que se a Rússia negoceia coisas com os EUA (em Minsk, em Ankara, em Anchorage, e agora este sketch do petróleo que Trump montou para enganar mercados e eleitores), é porque a Rússia PRECISA dessas negociações, porque NÃO CONSEGUE simplesmente impor toda a sua vontade no campo de batalha.
E tudo isto dito por mim, que sou neste momento um apoiante incondicional da Rússia nesta guerra.
Mas a verdade é a verdade.
O plano dos EUA não era, NUNCA foi, o de “derrotar” a Rússia, mas sim fazer exatamente o que se está a passar: sofrimento da Rússia, sacrifício da Ucrânia, financiamento da UE/NATO.
Enquanto o plano dos EUA corre como planeado, os EUA têm espaço de manobra para destruir o Irão capturar a Venezuela, fazer golpe palaciano no Brazil (Bolsonaro pai e filhos) e Argentina (Milei), atiçar o Japão contra Pequim e Moscovo, atiçar o Golfo contra o eixo da Resistência, pôr a al-qaeda no poder em Damasco e soltar porcos do ISIS, mandar nazis ucranianos treinar terroristas do JNIM para ataques de drones no Sahel, e planear a próxima guerra proxy contra a China, entre muitas outras alarvidades imperiais maquiavélicas.
E a Rússia, o que pode fazer?
Mal se pode defender.
E se amanhã o Pentágono (aka NATO) anexar a Moldávia de uma vez por todas, e matar todos os seres vivos da Transnístria (ao estilo do que fez em total cumplicidade com Netanyahu em Gaza), a Rússia nem sequer um dedo conseguirá levantar.
E o mesmo se aplica à Sérvia e à Srpska (entidade sérvia anexada à Bósnia).
E o mesmo já se passou na Síria e em Caracas.
Quanto aos objectivos declarados da “Operação Militar Especial”, ainda NENHUM foi atingido.
É por isso que, com honestidade intelectual, os governantes Russos (Putin, Medvedev, Lavrov, etc) lá continuam a repetir:
“os objectivos da operação militar especial SERÃO cumpridos”.
1- a Ucrânia ainda não foi desnazificada, pelo contrário, está cada vez mais nazi,
2- a Ucrânia ainda não é neutral, pelo contrário, continua 100% nas garras da NATO, i.e. de Washington DC,
3- o Donbass ainda não foi libertado, pelo contrário os Russos recuam em várias frentes perante contra-ataques ucranianos liderados por nazis como Bilersky (Terceiro Regimento, aka Batalhão Azov expandido),
4- a Crimeia não está protegida, pelo contrário continua a região mais frágil da Rússia sob ataque constante dos drones e mísseis da NATO,
5- a Ucrânia não foi desmilitarizada. Sim, a Rússia já desfez vários exércitos ucranianos, sim a Rússia destruíu muito material da NATO, e sim a mobilização forçada na Ucrânia para manter a guerra levará a um inverno demográfico catastrófico, mas o que é um facto é que o exército Russo continua atolado com um dos mais fortes e melhor armados/equipados exércitos do Mundo à sua frente.
E avanço a minha própria métrica para definir sucesso vs derrota:
– sucesso para os EUA: já foi atingido. Guerra proxy para aleijar a Rússia correu tão bem ou melhor que o planeado. Cada mês extra de guerra prolongada é um acrescento à vitória.
VS
– derrota para os EUA: neste momento, totalmente fora de questão. Imaginar o desmantelar da NATO, a restauração da independência da Europa, o abrir de olhos da Ucrânia, ou os EUA a perderem dinheiro com isto, é somente wishful thinking.
– sucesso da Europa: actualmente impossível, pois está ligado à derrota dos EUA,
VS
– derrota da Europa: garantida assim que os EUA a capturaram totalmente e a condenaram à vassalagem e sacrifício em nome dos objectivos imperiais,
– sucesso da Rússia: atinge todos os objectivos da SMO, e sai reforçada industrial e militar e geopoliticamente. Vamos neste sentido, mas entre ver a meta e cortar a meta, vai uma grande diferença!
VS
– derrota da Rússia: negoceia a paz com Kiev sem garantir a desnazificação completa, i.e. sem matar Biletsky e companhia e sem reverter o culto do Stepan Bandera.
Abdica da travessia do rio Dnieper, i.e. não fica sequer com Kherson, quanto mais com Odessa.
NATO mais expandida e militarizada, com mais bases militares dos EUA e armas nucleares “emprestadas” ao flanco leste (Finlândia, Bálticos, etc), sem que a Rússia consiga o mesmo feito da USSR aquando da crise dos mísseis da NATO na Turquia, i.e. uma crise simétrica em Cuba que obrigou os EUA a recuar.
– sucesso da Ucrânia: cenário impossível desde o golpe de 2014,
VS
– derrota da Ucrânia: garantida desde o golpe de 2014, pois tal golpe feito pela CIA foi o primeiro passo oficial para o sacrifício total da Ucrânia na guerra proxy que os EUA já tinham planeado há muitos anos.
– sucesso do bloco China+Rússia+Irão: o Irão sobrevive, os BRICS continuam expansão, a des-dolarização avança, a Rússia ganha, e a China faz cheque-mate ao império na frente leste desta guerra imperial dos EUA contra o resto do Mundo (exceto “israel”),
VS
– derrota do bloco China+Rússia+Irão: Irão capitula (se necessário com o sacrifício da Aliança de Meca, como já se está a ver no Iemen), ou Rússia é desgastada demais (se necessário com o sacrifício da UE a juntar-se ao da Ucrânia), ou BRICS implodem (ex: Bolsonaros imitam Milei, e bloco nunca mais recupera disso), ou dólar sobrevive como moeda #1 das reservas e comércio mundiais, ou China é desgastada demais na frente de guerra proxy com Taiwan e/ou Filipinas e/ou Japão e/ou Austrália.
Tudo isto é COMPLETAMENTE independente do palhaço/fantoche que se sentar na Sala Oval da Casa Branca.
A única diferença é a classe do teatro: mais snob/woke com a estirpe azul “democrata”, ou mais labrego/alarve com a estirpe vermelha “republicana”.
I.e. querem um GENOCÍDIO em Gaza feito por um Pentágono que pinta bandeiras LGBT nos mísseis enviados para “israel”, ou um GENOCÍDIO em Gaza feito por um Pentágono que distribui bonés vermelhos da MAGA?
É só essa a “escolha”!
afinal parece que o sr. Zé está disponível para pedir à ia do google para fazer vários textos bonitos e depois juntar tudo num texto muito bonito e muito grande e depois exibi-lo aqui.
ó sr. Zé… punheteiros de inteligência artificial é uma coisa já ultrapassada… isso que vem nos seus comentários (o que é verdade e o que é mentira) já eu conheço há meses.
O Sr. Zé é um dos generais que chefiam o tal exercito que bem descreve João Ferreira: “exército de zombies de sofá, criaturas intelectualmente domesticadas que repetem o teleprompter, aplaudem o vazio e confundem informação com conhecimento, propaganda com verdade e obediência com inteligência.”…bem se ainda não é general é artista na IA.
O Sr. Zé é bipolar.
Portugal pode ser um dos mais sabujos vassalos do Trampas mas aqui ainda se fala português, e se escreve.
Quanto ao texto muito longo por cá ainda sabemos escrever por isso não nos limitamos a escrita pequenina do Trampas.
Quanto a evidências talvez prefiras a de Mark “eutanásia” Rutte que garante que o facto de a Rússia estar a afinar a pontaria e sinal de fraqueza.
Caramba!!! A good read but the argument is long on rhetorical fireworks and short on evidence.
Exactamente!!! You took the words out of my mouth.
Quero ver e onde e que o Mark “eutanásia” Rutte foi buscar a ideia de que a Rússia estar a dar porrada forte e feia na Ucrânia e sinal de fraqueza.
Alguém que não sofre do “pecado” de ser russofilo pode explicar isso?
E desde quando não querer continuar a pagar a Herr Zelensky e a levar com o efeito boomerang dessas sanções que só nos lixam a nós e ser russofilo?
Senhor Augusto, vá ver se o mar da Sócrates.
Quero ver quando este russófilo, convencido, volta atrás, ao contrário do que diz dos comentadores, para desdizer alguns dos temas que abordou aqui, caso não se concretizem ou verifiquem. Porque assume, desde já, a sua verdade como absoluta… Fico a aguardar.
Subscrevo.